quinta-feira, 26 de março de 2009

I sure miss you,honey.

Às vezes ela pega o carro de madrugada.Tem dormido pouco, então em algumas dessas noites,elavai para onde tudo começou.
Ela dirige por muito tempo, na tentativa inútil de esquecer, mas nunca funciona, pelo contrário, todos os cantos dessa cidade carregam lembranças.
E então ela pára de dirigir e estaciona na frente daquele prédio vazio, que um dia foi cheio de alegria, vida, risos e beijos.Ela se senta em uma mureta de frente com o prédio, e aí que as lembranças a atacam, sem dó.
- Uma afeta os ouvidos, trazendo de volta aquela voz, aquela gargalhada conhecida invadindo-a de novo; Outra afeta os olhos, e as imagens não páram de dançar na frente dela: mãos dadas, sorrisos largos, olhares apaixonados; E uma chega bem ao centro da palma da mão, que de imediato procura a outra, mais quente e maior, mas claro que não encontra; Sempre tem aquela que afeta os lábios, e sempre faltam outros para completar; Por fim, aquela que se une às outras, e as mistura, esmurrando o peito.
Ali, sentada, ela tem vontade de sumir, de ir para algum lugar onde as lembranças não a encontrem.Ela tem vontade de voltar no tempo e ficar ali.E nunca mais sair daqueles braços.
Ah, se ela soubesse que ia acabar...O "eu te amo" seria mais intenso, e o beijo mais apaixonado, e ela iria implorar "não vá, não me deixe...nunca!"
Foi ali que tudo começou, e ela olhava lembrando de tudo, e então, como em todas as outras noites, as lágrimas não a pouparam.Chorou até cada gota se fazer digna.

Ela quis ligar, dizer que ama, dizer que sente falta, que procura todas as noites.Mas que diferença ia fazer?
Sendo assim, ela enxugou o rosto, abriu a porta do carro e foi pra casa.

Um comentário:

Rafael Volpe disse...

Sinceramente, eu levei um susto tentando descobrir quem era "Ela", até você me dizer que não dirige Uuhauhau. Texto seu? Adorei Paulinha! Entrigante! Adorei!